As escolas e o Platô OK

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Em outra postagem, explicamos o que é o Platô OK: uma espécie de “zona de conforto”, em que as pessoas sentem que já evoluíram o suficiente em uma atividade e param de melhorar. Como esse é um conceito ligado à aprendizagem, certamente ele tem algo a nos dizer sobre a educação escolar.

A nota média

A triste realidade é que as escolas, de modo geral, não apenas incentivam os alunos a estacionar no Platô OK como também costumam impedir aqueles que poderiam sair dele.

Vamos pensar no ponto de vista de um aluno: tudo de que ele necessita para ser aprovado é conseguir uma nota média (normalmente 5, às vezes 6). Essa é uma forte mensagem que as escolas passam e que diz essencialmente o seguinte:

“busque ser médio em todas as matérias; se você se destaca em alguma, deixe-a de lado e se dedique àquelas em que está abaixo da média”.

Logo, um estudante típico, que tem várias ocupações além da escola, não encontra muito incentivo para se dedicar aos estudos além de um certo ponto, já que a principal recompensa adquirida surge já na metade do caminho, quando ele muda seu status de reprovado para aprovado.

É verdade que existe a possibilidade de atingir notas mais altas, mas mesmo a NOTA 10 não garante que o estudante saia do seu Platô OK: como a maioria dos professores precisa se preocupar com salas de aula heterogêneas, em que alguns estudantes têm muito mais facilidade do que outros, o mais comum é o professor usar a maior parte de seu tempo tentando fazer os alunos com dificuldades atingirem um nível médio, e não criando novos desafios para os alunos que já estão próximos à NOTA 10.

Nota 10 versus nota máxima

Vale lembrar aqui que as pontuações que estabelecemos para os estudantes são arbitrárias. Ou seja, nada garante que um “aluno nota 10” realmente fez o melhor que podia e nem que dominou o conteúdo daquela disciplina. Pode ser que a prova estivesse fácil demais, provavelmente como forma de evitar que a sala toda ficasse de recuperação.

Uma das tarefas mais difíceis de um professor é, portanto, garantir que seus alunos mais talentosos não fiquem presos em uma zona de conforto. Eles devem receber incentivos para se manter em estágio cognitivo o tempo todo, de forma a atingir seu verdadeiro potencial (o que é muito diferente de passar de ano com notas máximas).

O psicólogo Anders Ericsson, que estudou pessoas muito bem-sucedidas em diversas áreas, percebeu que elas têm algo em comum, que consiste, basicamente, em tentar coisas novas, em que podem falhar, e aprender com as suas falhas.

Ao contrário do que muitos professores pensam, portanto, o que ajuda um estudante de alto nível não é elogiá-lo constantemente, mas sim oferecer a ele tarefas que estão um pouco além de sua capacidade, fazendo com que ele se sinta forçado a evoluir.

No próximo post, vamos encerrar este assunto (por enquanto!) mostrando algumas formas de criar esses desafios. Até logo!

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