O que motiva alguém a estudar: Harry Potter e a Armada de Dumbledore

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O que motiva

No livro Harry Potter e a Ordem da Fênix, a escola de Hogwarts, em que Harry e seus colegas bruxos estudam, passa a ter Dolores Umbridge, uma bruxa ligada ao Ministério da Magia, como professora de Defesa contra a Arte das Trevas. Como suas aulas são excessivamente teóricas, os alunos acabam criando um espaço próprio para praticar os feitiços que consideram mais relevantes. Ou seja: após as aulas, eles se dirigem a uma sala específica e usam seu tempo livre para se aperfeiçoar na prática de feitiços defensivos (o que motiva). Esse grupo se denomina Armada de Dumbledore (nome do antigo diretor da escola, tirado do cargo por Umbridge).

A questão levantada aqui é simples: se os professores na sua escola abandonarem as aulas, os alunos irão estudar os conteúdos no seu tempo livre? Se a resposta é não, qual é o motivo?

O que motiva alguém a estudar?

No caso do Harry Potter, existe uma ameaça representada por bruxos malignos (conhecidos como Comensais da Morte). Harry e seus colegas sabem que, a qualquer momento, precisarão conhecer magias defensivas para sobreviver. Por isso, mesmo que essas magias não sejam ensinadas na escola e não valham créditos para sua formação, Harry tem um motivo real para estudá-las.

No resto do seu tempo livre, uma das coisas que Harry mais gosta de fazer é jogar Quadribol, um jogo popular entre os bruxos, que é praticado com os jogadores voando em vassouras. Então, ele também pratica o esporte.

É possível perceber uma lógica nas ações de Harry Potter: ele faz aquilo de que ele gosta e aquilo de que ele necessita.

Necessidades reais e necessidades falsas

Obviamente, é possível levar alunos a estudar colocando para eles a necessidade de aprovação. Mas essa é uma necessidade falsa, arbitrária, definida pela escola. Tanto que, na maioria das matérias, os alunos tendem a estudar para garantir sua aprovação e, logo em seguida, abandonar o conhecimento para sempre. E, de forma pouco surpreendente, essa atitude costuma ser recompensada, e não punida, na vida adulta.

Todos os dias, alguém publica em alguma rede social a frase “mais um dia se passou e eu não usei determinante de matrizes…”.

Em contrapartida, essa mesma pessoa deve ter motivos para usar, todos os dias, fórmulas ligadas ao cálculo de rendimento de investimentos, conhecimentos sobre seus direitos como consumidor e informações sobre valores nutricionais de alimentos. E, curiosamente, o mais provável é que ela não tenha tido aulas sobre esses assuntos na escola.

É errado aceitar como natural que as matérias trabalhadas na escola são as mais úteis e mais interessantes que uma pessoa poderia aprender. Esses conteúdos deveriam ser revistos frequentemente, tanto pelas pessoas que elaboram os currículos quanto pelos professores, em seu cotidiano. Afinal, não é verdade que os alunos não gostam de aprender: o que ninguém gosta é de se esforçar para algo em que não vê sentido.

Em breve, teremos mais posts com discussões sobre os conteúdos que poderiam ser trabalhados nas escolas. Até breve!

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