Educação e dados. Existe sinergia?

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Educação e dados. Existe sinergia?

Usar a análise de dados para planejar ações pedagógicas já é real e ajuda a melhorar o desempenho dos alunos

 

Seja em médias ou em grandes empresas, a análise de dados vem sendo largamente utilizada no ambiente corporativo, e, a cada dia, torna-se uma estratégia cada vez mais importante para o sucesso de qualquer negócio. Os números obtidos a partir dessa metodologia servem para mensurar resultados, medir performance e nortear futuras decisões. O mais interessante é que esse tipo de ação pode ser aplicada em algo corriqueiro e simples, como conhecer seu público-alvo, chegando até a situações mais complexas, como lançar um novo produto ou tomar uma decisão financeira, entre outras.

 

Para quem trabalha ou já trabalhou em companhias de médio ou grande porte, isso é bastante comum. Mas você já imaginou a análise de dados sendo usada no ambiente educacional? Embora ainda não esteja 100% disseminada em escolas de todo o Brasil, essa ação traz muitos benefícios para as instituições de ensino e também para alunos e professores.

Vamos pensar juntos: primeiro imagine uma aula sendo dada. Agora, enxergue a infinidade de números e informações que estão circulando por ali. A todo momento a interação aluno-professor e aluno-aluno gera dados, começando pelas notas – o dado mais evidente e conhecido – e passando pelo desempenho individual de cada aluno de acordo com seus erros e acertos nas disciplinas. Além disso, por meio desse tipo de análise, é possível mensurar o desempenho das salas da mesma série, as questões mais acertadas de cada matéria em determinada disciplina, a trajetória escolar e e assim por diante.

Desempenho particular e coletivo

Com a análise de dados é possível cruzar as informações e traçar uma espécie de raio-x da escola, de uma turma ou de um aluno, e até comparar com outras instituições. Por exemplo, em um simulado, dá para saber onde está o maior número de erros e de acertos, assim como ranquear os participantes da escola e cruzar esses dados com estudantes de outras escolas de todo o país.

É possível também descobrir onde um aluno em particular tem mais facilidade e onde estão suas maiores dificuldades. A partir daí a escola consegue mensurar os resultados e tomar decisões mais assertivas para intervir de forma pedagógica e estratégica. É a chamada ação pedagógica baseada em dados, ou data-driven education.

 

Dados-informação-ação

Na data-driven education, os dados organizados e acessíveis aos professores e gestores escolares devem ser usados para criar diagnósticos de suas turmas e dos alunos individualmente. Ou seja, viram informações que serão fundamentais na tomada de novas ações pedagógicas ou de um replanejamento educacional.

Mas, se há uma preocupação crescente em introduzir as tecnologias digitais no dia a dia escolar – com uso maior de tablets, aplicativos e plataformas de aprendizagem – o mesmo ainda não é feito com os dados. Ainda são poucas as instituições de ensino que enxergam o potencial das informações geradas dentro da sala de aula.

 

Tendência mundial

Utilizar a análise de dados é tendência mundial, tanto que a profissão do estatístico é uma das mais procuradas pelas grandes empresas. Na educação não é diferente. Vale lembrar que nos Estados Unidos isso já é uma realidade e os dados escolares são tratados como preciosidades. O RISE (Relevant Information to Strengthen Education), programa comandado pelo Departamento de Educação do Colorado, reúne dados de todos os alunos e professores, já a partir da educação infantil, de todas as duas mil escolas do estado. No caso dos estudantes, são analisados os pontos fortes de aprendizado e os que precisam de mais atenção, os resultados das provas e até mesmo sua formação educacional inicial. Dos docentes são coletados os programas de preparação dos quais participaram, suas atividades de desenvolvimento profissional e suas características enquanto educadores.

Os dados são cruzados e viram informações que são repassadas ao governo e, por meio delas, são tomadas iniciativas que visam à reforma no setor educacional. Essa análise também é disponibilizada aos próprios alunos, aos pais, educadores e pesquisadores.

 

Ciclo de melhorias

A partir do momento em que a escola incorpora a análise de dados como estratégia de aperfeiçoamento de aprendizagem, é possível promover um caminho de melhoria contínua na instituição. O ciclo preparar aula/ dar aula/ tirar dúvidas/aplicar provas/corrigir provas/ aos poucos vai virando algo do passado e dando lugar ao:

Preparar aula/dar aula/tirar dúvidas/aplicar provas/corrigir provas/analisar dados das avaliações/gerar diagnóstico e replanejar as aulas.

É um trabalho que demanda mais tempo, mas que, certamente, traz resultados que se refletem no desempenho das escolas e dos alunos.

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