A professora virou diretora. E agora?!

Autor: Nenhum Comentário Compartilhar:

O sujeito do título deste artigo é feminino, não à toa. Em geral, 80% das escolas públicas brasileiras são dirigidas por mulheres. Essa é apenas uma de muitas informações que podem ser obtidas a partir das respostas de um questionário da Prova Brasil, aplicado em 2015, para mais de 52.000 diretores de escolas municipais, estaduais e federais. As 111 questões abordam aspectos sobre o perfil do gestor escolar, as condições da escola e anormalidades que ocorreram durante sua gestão que possam ter comprometido o trabalho.

Os dados dessa pesquisa nos permitem conhecer algumas características dos profissionais que são responsáveis por comandar processos e dirigir as pessoas que “fazem a roda girar” na educação do país. Um dado em especial me chamou a atenção. Não pelo desconhecimento que eu tinha do fato, mas pela desconfiança que eu tinha de que era isso mesmo:

APENAS 1% dos diretores de escolas brasileiras não possuem experiência anterior como professor

Revisitando em memória a minha rede de contatos do mundo da educação, dentre os quais tenho diversos colegas diretores de escolas privadas, esse dado apenas chancela uma percepção pessoal antiga: a maioria dos meus colegas diretores, mesmo que de escolas privadas, também já foi professor.

Antes de qualquer outra análise, é importante ressaltarmos que apesar de a quase totalidade de diretores de escolas de educação básica ter atuado anteriormente em sala de aula, tal experiência não configura pré-requisito legal para o exercício do cargo de diretor escolar, salvo nos poucos processos seletivos em que isso é exigido. Professor virar diretor tem muito mais haver com inclinação à liderança, ascensão de carreira e conquista pessoal, como se pode inferir de outro dado da pesquisa:

Considerando escolas municipais, estaduais e federais, 68% dos diretores assumiram o cargo por indicação ou eleição

É bastante lógico e quase inquestionável afirmar que a experiência como docente o ajude muito em questões relacionadas ao universo escolar, conhecimento da rotina, empatia com os outros atores escolares e em outros aspectos que provavelmente exigiriam muito tempo e energia para o seu aprendizado, caso o novo diretor não tivesse sido professor.

Porém, ao se tornar diretor, o professor se depara também, invariavelmente, com outras demandas que não faziam parte do seu cotidiano como docente. Ele precisará agora se esforçar para conciliar a rotina da nova função com atividades de formação continuada, geralmente autodirigidas, a fim de adquirir habilidades e competências que o tornarão mais completo e capacitado para o cargo.

Segundo o professor e pedagogo mineiro Antonio Carlos Gomes da Costa, um dos principais colaboradores e defensores do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), existem 3 perfis básicos de diretor escolar:

  • administrador escolarque mantém a escola dentro das normas do sistema educacional, segue portarias e instruções, e é exigente no cumprimento de prazos;
  • pedagógico, que valoriza a qualidade do ensino, o projeto pedagógico, a supervisão e a orientação pedagógica e cria oportunidades de capacitação docente;
  • sociocomunitário, que se preocupa com a gestão democrática e com a participação da comunidade, sempre rodeado de pais, alunos e lideranças do bairro, que abre a escola nos finais de semana e permite trânsito livre em sua sala.

Embora o diretor escolar muito provavelmente conte com uma equipe para dividir os papéis acima descritos, ele deverá possuir uma visão bastante aprofundada de cada uma dessas 3 esferas. Muitas vezes ele precisará orientar sua equipe e direcioná-la para ações específicas, o que exigirá dele conhecimento e segurança para decidir como as pessoas devem trabalhar. É aí que entra a necessidade de esse profissional fazer uma autoanálise e identificar os pontos de sua formação que já estão bastantes consolidados e desenvolvidos para sua atuação, e outros que ele precisará desenvolver.

A conscientização da necessidade da formação continuada para melhorar sua atuação parece já existir e ser unanimidade entre os atuais diretores escolares. Entretanto, boa parte deles esbarra em duas questões impeditivas: tempo e dinheiro, dentre as quais o tempo parece ser a principal barreira. Veja a seguir os resultados das perguntas do questionário de diretores da Prova Brasil 2015 que se relacionam a essa temática:

Para ajudar os gestores a priorizarem em sua formação continuada aquelas áreas em que há uma maior necessidade de desenvolvimento, convido-os a ler o artigo 5 critérios para uma formação eficaz de gestores, publicado no portal Gestão Escolar. O artigo traz uma lista das cinco principais competências que um gestor escolar deve desenvolver: Competências de resultado, Competências de planejamento, Competências de liderança, Competências pedagógicas e Competências administrativas. Para cada uma dessas competências o artigo lista uma série de habilidades relacionadas.

Minha sugestão é para que o gestor faça um checklist ou mesmo estabeleça um sistema de pontuação (de 1 a 5, por exemplo) para cada uma destas habilidades. Desta forma ele conseguirá realizar uma auto análise e identificar com clareza habilidades que ele precisa desenvolver. A busca por cursos ou materiais que complementem sua formação se tornará muito mais precisa e acertada, evitando desperdício de tempo e energia, recursos tão valiosos a esses profissionais.

Post Anterior

Como fazer uma prova avaliativa?

Próximo Post

O Platô OK e o aprendizado

Você pode gostar também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *